Famílias enfrentam dificuldades

Enquanto aguarda audiência com o novo procurador-geral da República, Roberto Gurgel Santos, para dar entrada num pedido de investigação criminal, a Associação de Familiares das Vítimas do Voo 447 prossegue na luta. Dois meses após a queda do Airbus sobre o Atlântico, 40% dos familiares não receberam os 17 mil euros prometidos a título de primeira ajuda e passam por dificuldades financeiras.

A Associação pretende exigir que o governo brasileiro acompanhe as investigações sobre o acidente, hoje tarefa exclusiva das autoridades francesas. O presidente da associação, Nelson Faria Marinho, e o diretor-executivo, Maarten van Sluys, tem mantido contato permanente com representantes das associações francesas e alemãs de vítimas do acidente. O objetivo é unir forças para pressionar as autoridades em busca de maior transparência na apuração.

– Estamos tão integrados com essas entidades que os alemães, por exemplo, pediram cópias de nosso estatuto e sugeriram a formalização de um termo de reciprocidade. Seria uma espécie de compromisso onde toda ação das famílias brasileiras seria acompanhada de ação semelhante pelas alemãs _ diz o presidente Nelson Faria Marinho, que perdeu o filho Nelson Marinho, 40 anos, no acidente.

Como as investigações sobre as causas do acidente estão a cargo das autoridades francesas, os representantes da Associação das Famílias das Vítimas do Voo 447 reclamam da falta de informações para os parentes. Além da reivindicação do acompanhamento das apurações, a associação quer ser reconhecida como representação institucional das famílias frente às autoridades nacionais e no exterior, além de cobrar ações imediatas que possam garantir uma maior segurança de voo.

– Sabemos que não podemos trazer de volta as pessoas que perderam nessa tragédia, mas achamos que só de forma organizada poderemos fazer com que este desastre não tenha sido em vão – diz Nelson Faria Marinho.

– Eu me sinto no papel de um auditor – acrescentou o diretor-executivo da entidade, Maarten van Sluys, que perdeu a irmã Adriana Francisca. – Queremos descobrir o que houve exatamente com aquelas pessoas. Hoje, estamos à margem das investigações. Que houve uma falha, todos nós sabemos, ou o avião não teria caído. A associação vai ouvir especialistas em segurança de voo que poderão recomendar mudanças. Nossa ideia é, como associação, sentar à mesa com as autoridades e reivindicar, se necessário, alterações técnicas de projeto das aeronaves, de normas de voo e de rotas. São vidas que serão salvas no futuro.

O número de integrantes da associação tem crescido dia a dia. Os representantes da entidade pediram que as famílias interessadas em se associar entrem em contado por meio do endereço eletrônico info@afvv447.org.